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Influenciadora digital mirim com síndrome de Down faz sucesso nas redes sociais



Quando Gabriel, filho único da pedagoga Francielle Sevilheri, 32, e do marido, Silvio, completou 4 anos, eles decidiram que era hora de ter o segundo. "Foi uma gravidez muito planejada, o Gabriel pedia muito uma irmã", conta. Mas em pouco tempo, a felicidade deu lugar ao medo e a muitas incertezas. "Com quase 14 semanas, fiz o exame de translucência nucal e deu uma alteração. Foi terrível, meu mundo caiu", lembra Francielle.

"Levei o resultado para meu obstetra e ele nos propôs fazer outro exame. Caso desse positivo, ele sugeriu que eu fizesse um aborto. Saímos de lá arrasados. Ele disse que minha gestação poderia não chegar até o final", diz. O casal, então, optou por trocar de obstetra e levar a gestação adiante. "O novo médico foi maravilhoso! Me deu todo o apoio e carinho de que eu precisava naquela época. Mesmo assim, foi uma gravidez muito difícil. Eu não queria tirar foto, fazer envoxal... tudo por causa do medo", disse ela. "Eu não tinha contato com ninguém com síndrome de Down. As únicas informações que eu tinha eram do tempo da faculdade e da internet", explica.


A hora do parto finalmente chegou e não foi nada fácil para a família. "Maria Rita teve uma complicação e precisou passar por uma cirurgia no esôfago com apenas 20 horas de vida. Era uma cirugia de grande porte, mas, graças a Deus, foi tudo bem. Ela é uma lutadora desde a barriga", afirma a mãe. Mesmo assim, os primeiros dias foram de muitas incertezas. "Você vive o luto do filho perfeito, idealizado, dentro dos padrões da sociedade. A gente demora um pouco para absorver todas as informações, principalmente por que a síndrome pode acarretar outras má-formações. Para a mãe, que está vivendo aquele momento, é muito complicado. Entrei em um início de depressão pós-parto, tinha medo de contar para as pessoas e elas não aceitarem a Maria Rita. Tinha medo do preconceito que ela fosse enfrentar quando crescesse", desabafa a mãe.

"Mas fomos do luto à luta. Eu digo que a síndrome de Down cobre o bebê com um manto quando você recebe a notícia. Depois, você vai puxando e vendo que, por debaixo daquele manto, tem um bebê normal, que mama, chora e ri como os outros. A grande diferença é que a criança com Down precisa de mais estímulos e um pouco mais de paciência", explica a mãe. "Sempre falamos que ela é capaz de fazer tudo. Pode ser que demore um pouco mais, mas ela aprende", diz.

"Hoje, se eu tivesse toda essa informação e vivência, eu não teria derrubado uma lágrima, e é isso que eu quero mostar para as pessoas. As informações que chegavam para mim era que ela só sentaria aos 3 anos de idade, que ela não sairia da fralda, não comeria sozinha e demoraria muito para andar. Ela se sentou aos 5 meses e andou com 1 ano e 2 meses. Se a Maria é capaz, se ela se desenvolveu bem, todas as crianças são capazes", afirma Francielle.



Mini-influencer e garota propaganda

Graças aos pais, a autoestima de Maria Rita vai muito bem, obrigada. A menina, que mora com a família em Maringá, no Paraná, tornou-se a garota propaganda da cidade. "Surgiram convites para publicidade. Inclusive, um dos maiores shoppings de Maringá a chamou para ser a estrela da campanha de Natal. Ela ama", conta a mãe, que no dia 21 de março deste ano - Dia Internacional da síndrome de Down - presenteou a filha com uma conta no Instagram. "Fiz a conta como um diário para retratar o dia a dia dela e mostrar para as pessoas que a síndrome é apenas um cromossomo a mais", afirmou.

Por meio das redes sociais, Francielle costuma receber mensagens de outras mães. "Uma mãe disse que não queria mais viver desde de que recebeu o diágnostico. O bebê tinha apenas 40 dias e ela não conseguia cuidar da criança. Ela disse que depois de conhecer a Maria, percebeu que o filho dela poderia ter uma vida normal", conta. Em poucos meses, Maria Rita ganhou mais de 13 mil seguidores. No entanto, um problema com a conta acabou zerando a quantidade de seguidores e todas as publicações. "Eu expliquei o que aconteceu. Ela ouviu e não disse nada. Dias depois, ela falou que estava triste porque o Instagram da Maria estava no zero e me pediu para fazer outro. Recomeçamos", lembra a mãe.

Hoje, a rotina de Maria Rita é agitada, como a de qualquer outra criança da idade dela. Ela faz tratamento com uma fonoaudióloga, vai à escola — na rede municipal, onde os professores são preparados para inclusão — e faz balé. "Ela não nota (que tem síndrome de Down), é muito nova ainda. De vez em quando, ainda me bate um medo do futuro, penso em quando eu não estiver aqui, mas aí lembro que estou preparando-a para o mundo, para a vida", finaliza.

Por Sabrina Ongoratto

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