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EXCLUSIVO: Jornalista e amigas agredidas pela PMPE na entrada do jogo do Santa Cruz




O que era para ser um belo espetáculo, com a torcida tricolor marcando sua presença no estádio do Arruda, apoiando o time na luta pelo retorno à série B, se transformou num espetáculo de terror, violência e abuso de autoridade envolvendo um grupo de torcedoras recifenses e a Policia Militar de Pernambuco. 

Em publicação num de seus canais de redes sociais, a jornalista M.M., descreve as cenas de terror vividas por ela e mais duas amigas, na tarde deste domigo, nas imediações do Estádio do Arruda.

"Antes de qualquer coisa, muito obrigada pelo carinho de quem tem chegado junto, vou responder as mensagens em breve. Fisicamente bem. Mas ainda muito abalada, tentando acalmar. O Arruda tava lindo hoje, cheio. Cheio demais pra uma Polícia Militar despreparada demais. Eu e minhas amigas tentamos entrar uma hora antes da partida começar, já prevendo a agonia.

Muita gente querendo passar em um corredor mínimo que a polícia montou com a cavalaria. Não podia dar em outra coisa que não fosse confusão. Empurra-empurra, colocaram os cavalos pra cima e depois jogaram spray de pimenta. 

Atingiu criança, todo mundo ali, torcedoras e torcedores. Atingiu L.B. , minha amiga, que tem alergia. Ela começou a passar mal.

Mais empurrões. Carreguei ela como pude e corri pra longe da confusão, chegando na área de acesso onde a PM faz a revista dos torcedores. 
Pedi pra quem estava do lado de fora da cerca comprar água, me ajudar com L.B. Um policial nos abordou já de forma grosseira e mandou a gente sair. Eu disse que não ia sair, que eu ia ficar ajudando L.B., que estava passando mal por causa do spray de pimenta que a polícia jogou na torcida.

Ele se irritou e abriu a grade, me puxou pelo braço gritando para a gente sair. 


As pessoas que estavam no entorno e eu fechamos a grade, e repeti que não ia sair. Ele deu um tapa com empurrão na minha cara. Eu não sei dizer o que senti na hora, porque foi muita coisa. Fui pra cima e disse que ele estava abusando da autoridade, que ele não estava acima da lei e repeti isso infinitas vezes, porque era só o que eu conseguia fazer enquanto chorava. Ele deu um tapa nos peitos de B.S., que estava tentando me segurar e me empurrou. 

E gritou: "isso é pra você aprender a respeitar homem, sua puta", várias vezes. Porque a tapa que ele me deu na cara não tinha sido humilhação suficiente. Empurrou L.B., mesmo ela passando mal. No mais, só lembro de chorar e ser carregada, e do rosto dele de frente para o meu, completamente desequilibrado, gritando qualquer coisa que eu não ouvia, enquanto torcedores seguravam ele e a mim. 

Foi tudo muito horrível. Perdi a festa linda, porque eu só fiz chorar. Humilhada. Era pra eu estar comemorando a festa linda do Arruda. Agora, eu preciso da ajuda dos torcedores corais pra conseguir os vídeos. Eu sei que é possível. Muita gente filmou e eu preciso das provas pra que esse cara nunca mais possa lidar com torcedores.  A polícia não está acima da lei."


A jornalista e suas amigas prometeram acionar a Corregedoria da Polícia Militar e o Ministério Público de Pernambuco, nesta segunda (20). 

O Movimento Coralinas,  do qual as 3 torcedoras fazem parte, acionará o clube tricolor para que o mesmo ajude na defesa e garantia dos direitos das torcedoras.

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